w Acolhida na Colônia (SC)

Acolhida na Colônia (SC)

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Segmento: Turismo Rural 

Destinos: Anitápolis, Urubici, Rancho Queimado e Santa Rosa de Lima – Região das Encostas da Serra Geral (SC)

Parceiro executor local: Associação de Agroturismo Acolhida na Colônia

Apresentação

O charme do Turismo Rural em colônias europeias do Sul do Brasil

Nas Encostas da Serra Geral de Santa Catarina, no entorno de Florianópolis, região colonizada por imigrantes italianos e alemães, famílias de agricultores que trabalham de maneira cooperada na produção de alimentos orgânicos, abriram suas propriedades para mostrar aos visitantes sua maneira de viver integrada à natureza. Assim surgiu a Associação de Agroturismo Acolhida na Colônia.

Nas propriedades que participam da Acolhida, os visitantes são recebidos por famílias rurais que ainda vivem de maneira semelhante aos colonos europeus e aprendem com as experiências contemporâneas de agricultura agroecológica. Essas experiências tornaram a região referência em Turismo Rural.

O destino já é visitado por escolas, universidades, famílias e casais, sendo a maioria proveniente de Florianópolis e de outras cidades de Santa Catarina. Há demanda também de visitantes das capitais vizinhas, como Curitiba e Porto Alegre, de São Paulo e outros estados mais distantes, que vêm em busca de viver a experiência de ser acolhido por uma família que vive no meio rural.

Em geral as visitas de famílias e casais ocorrem nos finais de semana e feriados, e duram em média de dois a três dias. Os turistas que procuram a região buscam saber como vivem, como trabalham e o que fazem os agricultores ecológicos, além de conhecer os processos de plantio, transformação e consumo dos alimentos orgânicos.

É comum os turistas ficarem amigos das famílias rurais e retornarem com frequência, aproveitando os períodos de determinadas frutas, como os deliciosos morangos e uvas, ou para vivenciar as diferenças climáticas tão marcantes na região. Trata-se de oportunidades interessantes para serem trabalhadas de maneira a motivar as visitas em períodos de baixa ocupação.

Visitas de escolas e universidades costumam ocorrer durante a semana e têm duração variável, dependendo do tema da visita. Esta é uma boa estratégia para motivar as visitas nos períodos de baixa temporada. Empresas que organizam viagens técnicas e pedagógicas podem ter um excelente produto para oferecer a escolas e universidades.

O ideal é que os agentes conheçam as propriedades e a proposta da Acolhida antes de organizar viagens para grupos ou famílias. Para começar a conhecer a proposta, a orientação é acessar o site da associação: www.acolhida.com.br. A partir daí, pode-se conhecer a distribuição espacial das propriedades e o que cada uma oferece, o que facilita a criação de um roteiro personalizado para famílias ou grupos de estudo. No site há também um link para contatos e central de reservas, que conduz ao atendimento direto pela equipe da Associação, garantindo a escolha adequada dos lugares que serão visitados.

As orientações de acesso usam como referência Florianópolis, por ser o principal emissor e também o portão de entrada para a região. A capital é servida por um aeroporto internacional, rodovias de qualidade e sinalização turística que facilitam a organização da viagem com segurança.

A partir de Florianópolis se têm acessos aos vários destinos da Acolhida, tanto aos mais próximos, como Rancho Queimado, quanto aos mais distantes, como Urubici. A maioria dos visitantes utiliza seu próprio veículo para chegar até as propriedades. Porém, há alternativas como o aluguel de veículos ou a contratação de serviços locais de transporte – vans e micro-ônibus –, que atendem aos grupos. A melhor maneira de encontrar o transporte ideal e as condições de acesso é entrando em contato com a Central de Reservas da Associação, indicada no final desta publicação.


O turismo na Região das Encostas da Serra Geral

É importante lembrar que as visitas devem ser agendadas com antecedência, pois as famílias precisam se preparar para receber. Em alguns municípios há centros de atendimento ao turista e sinalização turística personalizada, sendo possível obter informações sobre as propriedades rurais e os serviços disponíveis em cada uma.

Atendendo ao perfil do viajante de Turismo Rural, a hospedagem é feita nas propriedades rurais, em quartos ou chalés coloniais. Os quartos coloniais são cômodos dentro da própria casa da família que, em geral, eram utilizados pelos filhos que foram trabalhar ou estudar na cidade. Tais quartos, preparados para receber os visitantes, proporcionam uma convivência mais próxima com os agricultores. A sensação é de estar visitando um parente querido que vive na área rural.

Já os chalés coloniais proporcionam mais privacidade ao visitante e à família que o recebe, pois têm estrutura independente de acomodação e banheiro. Em qualquer um dos casos, as refeições são feitas em conjunto e o visitante pode se integrar às atividades rurais ou aproveitar as atrações naturais disponíveis no entorno da propriedade. Uma prática muito comum entre os turistas é se hospedar em uma propriedade e fazer visitas ou algumas refeições nas propriedades vizinhas. É uma maneira bem interessante de aproveitar o tempo e distribuir os benefícios econômicos do turismo.

Aliás, além das paisagens exuberantes, outro grande destaque da região é a culinária. Não há grandes restaurantes ou pratos turísticos comuns a toda a região. Pelo contrário, o mais interessante é provar as receitas tradicionais criadas e preparadas pelas famílias rurais, com alimentos orgânicos produzidos na propriedade ou na região. Os cafés ou mesas coloniais são uma experiência gastronômica única, na qual cada ingrediente tem uma história particular e requer toda uma dedicação para chegar à mesa. A diversidade é tão grande que até já foi criado um caderno de receitas das famílias rurais, que podem ser acessadas na página da Acolhida na Colônia.

Apesar da variedade dos pratos oferecidos pelas famílias, há uma característica comum a todos: o fogão à lenha é o coração da casa. Ele aconchega, reúne, aquece no inverno, assa o pinhão, garante a água quente do chuveiro e do mate, além, é claro, de ser o responsável pelos sabores e aromas que convidam ao prazer gastronômico sem pressa.

A produção associada garante boas compras. Os visitantes podem levar para casa mel, melado, açúcar mascavo, geleias, doces, molhos de tomate, compotas produzidas pelas famílias. O pecado é permitido, afinal, praticamente tudo é orgânico e de excelente qualidade.

O segmento de Turismo Rural

Segundo o Ministério do Turismo no documento Turismo Rural – Orientações Básicas , “Turismo Rural é o conjunto de atividades turísticas desenvolvidas no meio rural, comprometido com a produção agropecu¬ária, agregando valor a produtos e servi¬ços, resgatando e promovendo o patrimô¬nio cultural e natural da comunidade”. Em virtude da heterogeneidade regional, das atividades oferecidas pelo empreendimento e da mão de obra utilizada, o conceito de Turismo Rural abrange algumas derivações, como é o caso do Agroturismo e do Turismo Rural na Agricultura Familiar. O Agroturismo pode ser entendido como o turismo praticado dentro das propriedades rurais, de modo que o turista entra em contato com a atmosfera da vida na propriedade, integrando-se, de alguma forma, aos hábitos locais. A definição traz na sua essência a noção de que a atratividade das propriedades rurais está na oportunidade de acompanhar a produção de produtos agrários – doces, geleias, pães, café, queijo, vinhos, aguardentes – ou vivenciar o dia a dia da vida rural, por meio do plantio, colheita, manejo de animais, consumindo os saberes e fazeres do campo.

A Associação de Agroturismo Acolhida na Colônia baseia seu trabalho em alguns princípios:

E foram exatamente estes princípios e a prática que fizeram com que a Acolhida na Colônia fosse escolhida pelo Ministério do Turismo para desenvolver um trabalho de estruturação que a tornasse um destino referência no segmento de Turismo Rural, levando ao desenvolvimento de uma metodologia de multiplicação das experiências aplicadas no destino para outros destinos e regiões turísticas do Brasil.

Projeto Destinos Referência em Segmentos Turísticos

O modelo de gestão descentralizada  concebido pelo Plano Nacional de Turismo e implementado pelo MTur prevê a integração de diversas instâncias da gestão pública e da iniciativa privada por meio da criação e organização dos arranjos institucionais.

O projeto Destinos Referência em Segmentos Turísticos desenvolvido pelo MTur em parceria com o Instituto Casa Brasil de Cultura, tem como objetivo criar uma estratégia de governança local, a partir do fortalecimento e aperfeiçoamento de segmentos de mercado, procurando envolver de forma participativa toda a cadeia produtiva e instituições relacionadas com o segmento escolhido, através de prioridades e estratégias definidas e com foco na competitividade.

O projeto tem como premissa a participação efetiva dos representantes locais, fortalecendo as entidades públicas e privadas, o trade e as organizações não governamentais, levando à formação de um Grupo Gestor que assume o papel de líder do processo, buscando assim garantir a continuidade das ações na área do turismo, resultados mercadológicos e a sustentabilidade do destino.

Assim, foram escolhidos dez destinos com características diferentes, em regiões diferentes, para que suas experiências contribuam para criar uma base metodológica que possa servir de modelo para outros destinos no Brasil, validando e consolidando a estratégia de desenvolvimento de políticas públicas, e de ampliação e diversificação da oferta turística nacional.

Destino referência em Turismo Rural

Em 2007, a Acolhida na Colônia foi escolhida para representar o segmento de Turismo Rural no projeto Destinos Referência em Segmentos Turísticos, uma parceria do Ministério do Turismo (MTur) com o Instituto Casa Brasil de Cultura (ICBC).

Um aspecto peculiar do projeto neste segmento foi a seleção de quatro municípios para compor o destino referência: Rancho Queimado, Anitápolis, Santa Rosa de Lima e Urubici. Nestes municípios estavam localizadas as 30 propriedades rurais mais preparadas para receber o projeto.

Apesar de ter sido considerada Destino Referência em Turismo Rural, a Acolhida não é apenas um destino turístico,  visto que é uma associação viva, que se expande e se fortalece a cada dia, extrapolando divisas de municípios e regiões e conta com um conjunto de 30 municípios e 180 propriedades.

Acreditando que empreendimentos solitários dificilmente são competitivos, a Associação de Agroturismo Acolhida na Colônia foi criada no Brasil em 1998, seguindo o modelo da rede francesa Accueil Paysan, hoje presente em países da Europa, África, Ásia e América Latina. A iniciativa foi motivada pela existência na região da Associação de Agricultores Ecológicos das Encostas da Serra Geral (Agreco), formada por famílias rurais que trocaram o plantio com uso de insumos químicos pela produção de alimentos agroecológicos e orgânicos.

As famílias que formavam a Agreco já haviam optado por um modelo de produção mais saudável para si e para o planeta, quando perceberam que poderiam diversificar as atividades de suas propriedades – agregando mais valor aos seus produtos e oferecendo alternativa de trabalho e renda para jovens e mulheres –, ofertando o agroturismo ecológico. Para acolher visitantes, aprenderam a utilizar os potenciais locais: natureza exuberante, hospitalidade, atrativos histórico-culturais, clima e técnicas alternativas de produção e de vivência no campo. A partir de então, começou a haver o interesse de grupos de técnicos e agricultores em visitar a região, criando uma necessidade de ampliação da infraestrutura de hospedagem e alimentação que atendesse a essa demanda.

Inicialmente a Acolhida atuava em 40 propriedades rurais de cinco Municípios – Santa Rosa de Lima, Rancho Queimado, Anitápolis, Grão-Pará, Rio Fortuna e Gravatal, estruturando-os para a prestação de serviços de hospedagem, alimentação, lazer, venda de produtos e educação (técnica e ambiental), por meio de roteiros integrados.

Desde 1999, a Acolhida propõe e executa projetos em parceria com diferentes instituições, objetivando diversificar a oferta turística da região, melhorar a qualidade dos produtos e serviços, promover a produção comunitária da região.

Os trabalhos in loco começaram em janeiro de 2008, quando os consultores do projeto visitaram as propriedades e realizaram reuniões com a equipe técnica da Acolhida e gestores públicos dos municípios e do turismo no Estado, para criar um ambiente de organização que pudesse pensar e decidir sobre o destino, de forma dinâmica e participativa, levando à formação de um grupo gestor do segmento.

Neste primeiro contato, foi possível avaliar o cenário do destino, seus principais diferenciais competitivos e suas necessidades. Uma boa surpresa foi conhecer a capacidade de auto-organização e o trabalho cooperado entre os agricultores e a equipe técnica da Acolhida, além do comprometimento de todos com a causa. Em algumas reuniões já ficaram claras as demandas mais emergentes sob o ponto de vista local, com destaque para:

Como se pode perceber, as necessidades da propriedade rural estavam diretamente relacionadas ao produto turístico. E este foi o grande desafio do projeto: conciliar os ideais e as necessidades da agricultura familiar com a atividade turística, de forma que a se complementarem.

Para definir o rumo do trabalho, foi realizado um Diagnóstico Competitivo e os resultados demonstraram, dentre outras coisas, a necessidade de aumentar a diversificação e a qualificação da oferta de serviços turísticos.

Em seguida, em julho de 2008, foi realizado o Seminário de Turismo Rural, que priorizou de maneira participativa as diretrizes e necessidades do destino. O evento contou com a contribuição ativa de representantes dos quatro municípios. Também participaram representantes do Sebrae, da Santur, da Sol – Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esporte, da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Epagri) e da equipe técnica composta por consultores da Casa Brasil, técnicos do MTur e da Acolhida.

As atividades realizadas durante o seminário nortearam a Estratégia Competitiva e todas as ações subsequentes do projeto na região.

A avaliação do Arranjo Institucional destacou a importância da cooperação intersetorial e de parcerias com entidades nacionais, situação que contribuiu para uma boa pontuação nesta dimensão, mas também deixou evidente a necessidade de dinamização dos Conselhos Municipais de Turismo (Comturs) e das Secretarias de Turismo, que, em sua maioria, são ligadas a outras pastas.

A dimensão de Informação/Inteligência Competitiva teve sua avaliação prejudicada devido à ausência de ensino técnico e superior no setor turístico, além da inexistência de dados estatísticos organizados e inventários turísticos nos quatro municípios em questão.

A dimensão de Infraestrutura deixou claras as dificuldades encontradas para o acesso às propriedades, devido a problemas nas estradas e à falta de sinalização. Porém, a questão das telecomunicações é a mais grave, já que há poucas linhas telefônicas fixas, baixo sinal para telefonia celular e é praticamente inexistente o acesso à internet nas propriedades rurais. Esta dimensão só teve sua pontuação melhorada devido à proximidade do destino com o Aeroporto de Florianópolis.Na quarta dimensão, de Qualificação do Produto, ficou explícita a carência de centros de visitantes e serviços de receptivo, seguido de outras necessidades como serviços bancários e qualificação dos meios de hospedagem. O grande destaque positivo foi para a produção associada e serviços de alimentação, reconhecidamente os maiores valores agregados do destino. Porém, na produção associada, foi destacada a falta de oferta de artesanatos e souvenirs para os visitantes.

A quinta dimensão avaliou a situação do Mercado e Marketing, que tem como principal aspecto positivo a proximidade dos mercados emissores e um posicionamento de destino reconhecido por elementos de sua identidade. Seus maiores desafios são a promoção e a comercialização.

A última dimensão, Sustentabilidade do Destino, teve como aspectos positivos a segurança, a disponibilidade de água, os benefícios para a comunidade local, destinação de resíduos sólidos e a existência de Unidades de Conservação. Porém há outros aspectos que colocam em risco a sustentabilidade, como a ausência de tratamento de esgoto, problemas no fornecimento de energia elétrica, falta de controle de capacidade de carga e monitoramento de impactos. Outro grande desafio para a continuidade do trabalho das famílias é a evasão dos jovens, que buscam outras oportunidades ainda não percebidas no meio rural.

Com relação aos Segmentos, confirmou-se o Turismo Rural como segmento principal, complementado pelo Ecoturismo e Turismo Pedagógico. Os principais mercados emissores são evidentemente regionais, com destaque para o Estado de Santa Catarina e a capital, Florianópolis. Foram também muito citadas as capitais de Estados mais próximos, como São Paulo, Porto Alegre e Curitiba. Pela relação com o modelo original Accueil Paysan, o mercado francês também foi apontado como um importante emissor.

A Identidade foi marcada por diversos aspectos, porém todos complementares e fortalecedores da identidade principal do destino, que é a Agricultura Familiar. Em seguida foram apontadas outras características como povo acolhedor, vida no campo, clima frio, vida sustentável, alimentação orgânica e berços das águas puras.

Os Nichos refletiram a realidade do perfil de visitantes atual: famílias, seguidas de casais, pequenos grupos de amigos, grupos técnicos e escolares.A priorização das ações de Produto e Mercado Turístico, consideradas pela equipe de consultoria da Casa Brasil, equipe técnica do MTur e da Acolhida na Colônia como as principais necessidades deste Destino serviram como referência para a Estratégia Competitiva.

Outro importante resultado – que teve origem no seminário e influenciou as ações seguintes – foi a definição do posicionamento, da priorização dos segmentos, dos mercados emissores, das identidades, dos nichos e da formação do grupo gestor. O grupo foi então formado por representantes das seguintes instituições: Acolhida na Colônia, Secretaria de Turismo de Urubici, Secretaria de Turismo de Rancho Queimado, Prefeitura de Anitápolis, Prefeitura de Santa Rosa de Lima, Epagri, Santur, Sol, SDRs, Centro de Formação em Agroecologia (SRL), Agreco e EcoSerra.

Assim, de posse dos resultados, a equipe técnica da Acolhida e o Grupo Gestor, com apoio dos consultores do ICBC, desenvolveram projetos que foram aprovados e estão sendo financiados por diversas instituições, como o próprio MTur e o MDA. Através destes projetos foram contempladas praticamente todas as demandas priorizadas. Os projetos, atualmente em execução, têm como foco:

As ações priorizadas que não foram contempladas imediatamente através dos projetos aprovados, como sinalização rodoviária de acesso aos municípios, pesquisa de demanda e desenvolvimento de artesanato regional, foram encaminhadas à Sol, Santur e Sebrae-SC por meio dos representantes do Grupo Gestor. Espera-se com isso que essas ações sejam integradas em outros projetos com outros destinos do Estado e recebam apoio ou recursos para serem executadas.

Outro grande destaque do programa, prevista para todos os destinos foi a Ação Símbolo: algo efetivo que representasse o resultado dos esforços coletivos e inspirasse novas pessoas e instituições a se envolver com a estruturação do segmento e do destino. Na Acolhida na Colônia, a Ação Símbolo escolhida foi uma Campanha Promocional em duas das maiores redes de supermercado da Grande Florianópolis. Estas duas redes foram escolhidas por terem um trabalho forte na venda de produtos orgânicos e, portanto, atingirem um público mais direcionado para a proposta. Foram montados quiosques e gôndolas onde os próprios agricultores se revezaram no atendimento e distribuição de material de promoção: Livro de Receita, Folders, Adesivos. A ação gerou um resultado imediato, aumentando o volume de visitantes às propriedades da Acolhida, além de abrir oportunidade para outras exposições em eventos e locais de fluxo de visitantes.

Além de organizar ações integradas dos quatro municípios, pertencentes a instâncias de governanças estaduais distintas, o grande desafio do programa Destino Referência em Turismo Rural na Acolhida na Colônia foi conciliar as características da agricultura familiar com as necessidades de formatação de produtos turísticos e sua inserção no mercado.

Ao mesmo tempo em que a proposta de Turismo Rural na Agricultura Familiar traz um autêntico diferencial para a região, esta mesma proposta por vezes dificulta a possibilidade de organização comercial das propriedades rurais para sua inserção no mercado turístico, de forma a garantir o sucesso econômico desta ação sem colocar em risco a essência do programa Acolhida na Colônia. Desta forma, o processo de desenvolvimento de produtos turísticos rurais na agricultura familiar deve seguir uma dinâmica própria, sem forçar o processo de compreensão dos envolvidos, mas também sem perder de vista o foco na qualificação.

Os programas, nascidos a partir da iniciativa dos Destinos Referência, e atualmente em execução, dão prosseguimento ao processo de desenvolvimento turístico com foco justamente neste equilíbrio entre a necessidade de atender ao mercado, porém atentos à essência da proposta da Acolhida na Colônia, que é conciliar a produção familiar orgânica com a recepção de turistas.

Analisando a experiência de desenvolvimento turístico na Acolhida na Colônia, podemos concluir que os processos participativos e a capacidade de organização são fatores chave para o sucesso de projetos de desenvolvimento comunitário sustentável. Muito além de um modelo de Turismo Rural na Agricultura Familiar, a Acolhida dá exemplos de Turismo de Base Comunitária, mostrando que é possível, sim, conciliar a essência do ideal com a técnica, os produtos locais com o mercado global e transformar elementos tão puros em modelos de sustentabilidade para o mercado.

O desafio, tanto da Acolhida quanto de outros destinos do mesmo segmento, é encontrar formas de se inserir no mercado e garantir a sustentabilidade econômica. Porém, em um momento em que o mundo está cada vez mais preocupado com consumo consciente e buscando experiências turísticas autênticas, a Acolhida e o Turismo Rural se apresentam como uma oportunidade de criar um produto turístico único e extremamente atraente para os mercados nacional e internacional.

Resultados alcançados